quinta-feira, 22 de março de 2012

Eu queria te contar que não dormi a noite toda. Fiquei deitado, encarando o teto, roubando fios de sonhos e traçando teias de destino pra nós dois. Nossas linhas não se encontram, nossas esquinas não se cruzam, era um destino difícil, um novelo emaranhado, cheio de nó, cheio de nós. Nós em cada canto, distantes mas ainda juntos por uma linha que começava lá longe e juntava a gente num lugar comum. Não dormi a noite inteira. Eu estava preocupado, não queria te acordar, mas sei que quando não durmo você também se sente incomodada. Quando eu não durmo, eu falto ao nosso encontro naquela terra em que o tempo não passa e a gente corre descalço e sem pressa. Quando eu não durmo, não sonho, não te vejo, você também não me vê. É injusto esgotar sua energia, sabe? Suas mãos sempre buscando as minhas, tateando no escuro e não encontrando nada além de vazio e saudade. Desculpa te amar e não poder oferecer nada além de ausência. Eu sou medroso, covarde. Tenho medo do tempo e dos dias. Tenho pressa. O resto da vida parece tão distante e ainda assim tão pouco. E se nesse meio tempo eu te perco de vista? E se a gente não se encontra mais? Começa a confundir os rostos no meio da multidão, as vozes abafadas sem poder se reconhecer, os caminhos que quase se cruzam mas nunca… quase! Cheios de quase. E se um dia eu não souber mais o que dizer? Se um dia eu não tivermais o que dizer? Eu tenho medo. Morro de medo. Por isso não durmo e fico te sonhando acordado.
Daniella L. (via desejo-lhe)

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